Se está afastado da confissão há muito tempo — ou se nunca foi — a parte mais difícil é o parque de estacionamento. Assim que entra na igreja, o resto é muito mais curto e mais suave do que a versão que construiu na sua cabeça.
Este é um guia claro e prático. Não pressupõe nada sobre há quanto tempo pratica, quanta teologia conhece ou como se sente em relação a ir. No final, saberá exatamente o que fazer, o que dizer e o que o padre responderá.
O que a confissão é e o que não é
Na tradição católica, o sacramento tem três nomes comuns:
- Confissão — o que você faz
- Reconciliação — o que acontece
- Penitência — o que aceita depois
Não é uma sessão de aconselhamento. Não é um lugar onde o padre o envergonha, lhe faz um sermão ou se lembra do que disse. É um sacramento — um momento breve e estruturado em que diz a Deus (em voz alta, através de um padre que age in persona Christi) a verdade sobre a sua vida, e recebe em troca a absolvição.
O padre está vinculado ao sigilo sacramental, que não tem exceções. Nem para crimes graves. Nem para ordens judiciais. Para nada. Ele pode nem sequer se lembrar depois de sair do confessionário. Isto não é uma prática pastoral opcional — é a confidencialidade mais estrita que existe nas instituições humanas.
Quando e onde
A maioria das paróquias ouve confissões:
- Ao sábado à tarde, antes da missa vespertina (o horário mais comum)
- Antes da missa diária, em muitas paróquias
- Por marcação — telefone para a secretaria paroquial; é normal e bem-vindo
Na Quaresma e no Advento, a maioria das dioceses organiza celebrações penitenciais — vários padres, vários confessionários, horários ao fim do dia. São os pontos de entrada mais fáceis para quem está afastado há muito tempo, porque todos os presentes também estão ali para se confessar. A multidão é precisamente a vantagem.
Com que frequência
A Igreja pede aos católicos que se confessem pelo menos uma vez por ano, e antes de receberem a Comunhão se tiverem consciência de pecado mortal. A maioria dos católicos espiritualmente comprometidos vai mensalmente — por vezes com mais frequência na Quaresma ou em tempos específicos. Não se preocupe com a frequência na primeira visita; simplesmente vá.
Antes de ir: o exame de consciência
Esta é a etapa que mais assusta as pessoas, e não deveria. É simplesmente uma honestidade silenciosa consigo mesmo, durante cerca de dez minutos, antes de entrar. Duas estruturas simples:
Estrutura 1: Os Dez Mandamentos
Percorra-os devagar. Não como uma lista de fracassos — como perguntas sobre a sua vida real.
- Tornei alguma coisa mais importante do que Deus?
- Usei o nome de Deus com leviandade, com raiva, com troça?
- Honrei o Dia do Senhor — fui à missa aos domingos, guardei-o como um dia à parte?
- Honrei os meus pais, cuidei daqueles por quem sou responsável?
- Prejudiquei alguém — fisicamente, com palavras, por negligência?
- Tenho sido fiel nos meus relacionamentos? Honesto na minha sexualidade?
- Tirei o que não é meu? Enganei, defraudei, retive o que devia?
- Menti, fiz mexericos, prejudiquei a reputação de alguém?
- Cobicei o que os outros têm? Entreguei-me à inveja?
- Tenho sido ganancioso com dinheiro, bens, atenção?
Estrutura 2: As cinco áreas
Se os mandamentos parecerem abstratos, tente isto:
- Deus — a oração, a missa, levá-Lo a sério
- Eu — o corpo, o tempo, a raiva, os vícios, o desespero
- Os outros — a família, o trabalho, os desconhecidos, o comportamento online
- A verdade — a honestidade, os mexericos, o que disse versus o que é verdade
- O trabalho — os deveres do seu estado de vida, como gastou as suas horas
Não está à procura de uma lista perfeitamente formulada. Está à procura daquilo que não quereria que ninguém soubesse — e que, por isso mesmo, é a parte de si que mais precisa de misericórdia.
Depois de ausências longas, concentre-se nos pecados mortais (matéria grave, pleno conhecimento, consentimento deliberado) de que se consegue lembrar. Os pecados veniais — as pequenas faltas diárias — podem ser mencionados brevemente. Não precisa de se lembrar de todos.
O que realmente acontece
O espaço: a maioria das paróquias oferece a escolha entre um confessionário (uma grade entre si e o padre, anónimo) e uma sala frente a frente (podem ver-se). Ambos são válidos. Se esteve afastado muito tempo, a grade costuma ser mais fácil.
O guião:
1. Entra e ajoelha-se (ou senta-se).
2. Começa com o Sinal da Cruz e uma abertura habitual.
"Abençoe-me, padre, porque pequei. Passou [tempo desde a última confissão] desde a minha última confissão."
Se nunca foi antes, diga-o:
"Abençoe-me, padre, porque pequei. Esta é a minha primeira confissão."
Se esteve afastado muito tempo e não tem a certeza de quanto, também não há problema:
"Passaram muitos anos desde a minha última confissão."
3. Confessa os seus pecados.
Simplesmente diga-os. Em voz alta. Não precisa de um guião. Comece pelos mais pesados, se conseguir; mencione os outros brevemente. O padre não lhe pedirá que desenvolva mais do que o necessário para dar um conselho sensato.
Se não souber como formular algo, diga-o com simplicidade: "Menti a alguém importante para mim." "Há três anos que não vou à missa." "Fui cruel com o meu cônjuge." "Luto com a raiva que sinto para com os meus filhos." A linguagem simples é preferível.
4. O padre pode dar um breve conselho.
Uma frase, um parágrafo, uma referência bíblica. Nada de longo.
5. O padre dá-lhe uma penitência.
Geralmente uma oração curta (alguns Pais Nossos, uma dezena do terço, uma passagem bíblica para ler). Ocasionalmente, uma ação concreta (um telefonema, um objeto devolvido). Ouça com atenção — irá cumpri-la depois de sair.
6. Reza o Ato de Contrição.
Um texto tradicional:
"Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido e, com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém."
Se não o souber de cor, use uma forma mais simples. O padre não se importará. Uma versão curta válida:
"Senhor Jesus, arrependo-me dos meus pecados. Perdoai-me. Ajudai-me a não voltar a pecar."
7. O padre dá a absolvição.
Ouvirá palavras muito próximas destas:
"Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de Seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo."
Faça o Sinal da Cruz. O sacramento está completo. Os seus pecados estão perdoados.
8. O padre despede-o.
Muitas vezes com: "Vai em paz." Pode responder "Graças a Deus" ou simplesmente acenar com a cabeça.
Todo o encontro leva geralmente três a dez minutos. Por vezes um pouco mais, numa confissão depois de longa ausência; quase nunca mais de quinze.
Depois de sair
Vá cumprir a penitência que o padre indicou, de preferência antes de sair da igreja. Não a adie.
Depois, sente-se por alguns minutos. A maioria das pessoas fica surpreendida com a sensação de leveza. Alguns choram baixinho. Alguns não sentem nada. Tudo isso é normal — a graça do sacramento não depende do que sente ao sair.
Preocupações comuns, respondidas em poucas palavras
"Não consigo lembrar-me de tudo." Confesse o que se lembra. Os pecados mortais que esquecer involuntariamente são perdoados juntamente com o resto. Se mais tarde se lembrar de algo grave, pode mencioná-lo na próxima vez.
"Os meus pecados são demasiado graves." Não são. Todos os padres já ouviram pior. Todos os padres também confessaram os seus. Não há pecado que o sacramento não possa alcançar.
"Tenho medo de que o padre me julgue." Ele está vinculado ao sigilo, e o seu papel é ser Cristo para si naquele momento, não o seu avaliador. Se a maneira de um determinado padre o deixar desconfortável, pode ir a outro na próxima vez. A maioria dos padres é mais gentil do que as pessoas esperam.
"Há vinte anos que não vou." Então esta é a frase mais importante deste artigo: simplesmente vá. Entre. Diga-o. A Igreja foi feita precisamente para isto. Quanto mais espera, mais pesado parece o parque de estacionamento — sem nenhum motivo que tenha a ver com o que realmente acontece lá dentro.
"Não sou católico, mas ando à procura." A confissão é para os batizados em plena comunhão com a Igreja Católica, portanto ainda não pode receber o sacramento. Mas pode perfeitamente procurar um padre e conversar com ele fora do sacramento — a maioria fá-lo de bom grado. É um passo normal no caminho para se tornar católico.
Onde a confissão se enquadra no ano católico
A Igreja dá particular ênfase à confissão durante a Quaresma e o Advento — os dois tempos penitenciais. Muitos católicos procuram ir pelo menos uma vez em cada um. O guia do ano litúrgico católico situa estes tempos numa forma maior.
Para uma vida diária que mantém discretamente a confissão à vista, em vez de a tratar como um resgate de emergência, o versículo diário do Haven traz regularmente passagens sobre a misericórdia, o arrependimento e o regresso do filho pródigo. E a coleção de versículos bíblicos de esperança é a que deve levar consigo no caminho para casa.
Uma palavra final
A parte mais difícil da confissão é o parque de estacionamento. Depois de entrar na igreja, o resto é mais curto, mais leve e mais misericordioso do que a versão que construiu na sua cabeça.
A Igreja ouve exatamente este tipo de confissão, exatamente deste tipo de pessoa, há dois mil anos. Não há nada que possa dizer que o padre não tenha ouvido, nada que tenha feito que o sacramento não possa alcançar, e nada no seu passado que o desqualifique de entrar por aquela porta amanhã.
Procure os horários de confissão da sua paróquia. Gaste dez minutos honestos no dia anterior. Depois vá.
É só isto.